Mulheres mais ricas do Brasil 2025: viúva de Silvio Santos estreia na lista bilionária; veja quem lidera
29 agosto 2025 0 Comentários vanderlice alves

Mulheres mais ricas do Brasil 2025: viúva de Silvio Santos estreia na lista bilionária; veja quem lidera

Um salto no topo: Iris Abravanel estreia e a lista feminina da Forbes cresce

Dinheiro muda o jogo, mas 2025 trouxe algo mais raro: movimento. A nova lista da Forbes ampliou a presença feminina no alto do patrimônio no Brasil. São 60 nomes, contra 48 no ano passado, com uma fortuna somada de R$ 343,7 bilhões. E a novidade que mexeu com o noticiário: Iris Abravanel, 77 anos, viúva de Silvio Santos, entrou no ranking ao lado das seis filhas do apresentador, com estimativa combinada de R$ 6,4 bilhões.

A herança de um dos maiores comunicadores do país reorganiza um império que vai além da TV. O conjunto inclui o SBT e negócios em varejo, hotelaria e cosméticos. A transição começou com a morte de Silvio, em agosto de 2024, aos 93 anos, e segue com ajustes de governança. Renata, a caçula, preside o conselho do Grupo Silvio Santos, papel chave num mercado de mídia que vive pressão por audiência, fragmentação digital e disputa por publicidade.

Para muita gente, a dúvida é simples: como essa riqueza se materializa? A Forbes calcula os valores a partir de participações acionárias, resultados de empresas fechadas e cotações de mercado, além da taxa de câmbio do período. Ou seja, é fotografia de um momento. Flutua conforme ações sobem, caem ou dividendos entram no caixa. No caso das famílias, a distribuição da herança passa por trâmites legais e fiscais — e o valor final depende do regime de bens do casamento e das decisões do inventário.

Mesmo com a estreia de Iris e das herdeiras Abravanel, o topo do ranking continua muito concentrado. Vicky Sarfati Safra e família lideram com R$ 120,5 bilhões — uma distância grande para a segunda colocada. É o retrato de um país onde fortunas históricas, muitas delas de bancos e indústria, seguem ditando o ritmo.

Outro dado que chama atenção: só uma mulher está entre os dez mais ricos do Brasil no ranking geral — justamente Vicky Safra. No total, a lista traz 240 homens e 60 mulheres. É avanço, sim, mas ainda um sinal claro do tamanho do buraco entre gêneros quando o assunto é capital acumulado.

Entre as novas bilionárias de 2025, duas trajetórias ajudam a explicar a expansão: Priscila Barreto Moreira Silva, acionista da Hapvida, aparece com R$ 2,2 bilhões, mostrando a força de redes de saúde verticalizadas; e Mariana Botelho Ramalho Cardoso, diretora estatutária de Compliance do BTG Pactual, estreia com R$ 2,1 bilhões, espelhando a valorização dos serviços financeiros e a importância crescente da governança na criação de valor.

Para quem acompanha o mercado, não é surpresa ver tecnologia, agronegócio, finanças e saúde entre os motores dessa alta. Fintechs ganharam preço na Bolsa, o agro manteve margens robustas e bancos de investimento cresceram com oferta de crédito e estruturação de operações. A soma disso puxou parte das fortunas femininas para cima.

Se você quer um ponto de partida rápido para entender o mapa do dinheiro hoje, ele está aqui: as mulheres mais ricas do Brasil seguem majoritariamente ligadas a dinastias empresariais e a fatias relevantes de companhias líderes nos seus setores. Aos poucos, novas trajetórias — de fundadoras, executivas e acionistas — estão entrando no radar.

Quem está no topo e como ler os números de 2025

A nova lista da Forbes com as brasileiras mais ricas traz este retrato:

  1. Vicky Sarfati Safra e família — R$ 120,5 bilhões
  2. Maria Helena Moraes Scripilliti e família — R$ 26,8 bilhões
  3. Ana Lúcia de Mattos Barretto Villela — R$ 9,8 bilhões
  4. Anne Werninghaus — R$ 9,1 bilhões
  5. Cristina Helena Junqueira — R$ 8,7 bilhões
  6. Neide Helena de Moraes — R$ 8,4 bilhões
  7. Vera Rechulski Santo Domingo — R$ 7,1 bilhões
  8. Dora Voigt de Assis — R$ 6,6 bilhões
  9. Lívia Voigt — R$ 6,6 bilhões
  10. Lucia Borges Maggi — R$ 6,6 bilhões
  11. Iris Abravanel — R$ 6,4 bilhões

Além desse bloco, a lista de 2025 também registrou 31 novos bilionários no país. Entre eles, o maior patrimônio de estreia é o de Max Van Hoegaerden Herrmann Telles, com R$ 29,3 bilhões. O recado é direto: mesmo num ambiente mais cauteloso, há setores e nomes que crescem rápido.

Vale olhar com lupa as histórias por trás dos números. Vicky Safra tem origem em um conglomerado financeiro multigeracional. Maria Helena Moraes Scripilliti integra uma família com presença histórica na indústria pesada e em investimentos diversificados. Cristina Junqueira representa a força das fintechs ao transformar participação acionária em patrimônio relevante. Dora e Lívia Voigt carregam o sobrenome de um polo industrial no Sul com presença global. Lucia Borges Maggi é marca de um agronegócio que bate recorde de exportações e produtividade ano após ano.

Ao redor delas, Iris Abravanel e as filhas surgem como um caso de sucessão em tempo real. O SBT segue num mercado de TV aberta que disputa com plataformas digitais e streaming. A frente de cosméticos vive competição acirrada, e hotelaria trabalha para consolidar ocupação num país que retomou o turismo doméstico. Governança, profissionalização e disciplina de capital vão dizer quanto dessa fortuna não só se preserva, mas cresce.

O avanço do número de mulheres na lista também conversa com um movimento de bastidor: mais presença feminina em conselhos, mais executivas com poder real de decisão e um ambiente regulatório que pressiona por controles, auditoria e compliance — áreas que, quando bem feitas, protegem valor e destravam crescimento. A própria estreia de uma executiva de compliance no rol das bilionárias é um sinal dos tempos.

Há alertas, claro. A concentração no topo continua alta, e a participação feminina entre os mais ricos ainda é de 20%. A herança segue sendo a porta de entrada dominante, mas o empreendedorismo feminino começa a pesar mais, principalmente em tecnologia, finanças e saúde. Quando o capital de risco abre espaço, quando a Bolsa volta a precificar crescimento e quando o crédito chega, as histórias mudam.

Como ler a lista sem cair em armadilhas? Primeiro, é um recorte de patrimônio, não de renda. Segundo, é volátil: variações cambiais e de preço de ação podem mover bilhões em semanas. Terceiro, em famílias com participações cruzadas, a fotografia pode não capturar acordos privados ou holdings com estruturas complexas. Ainda assim, como termômetro, a lista mostra tendências sólidas: o dinheiro feminino está mais presente, mais diversificado setorialmente e mais sensível à qualidade da gestão.

Para 2025, a pergunta é se a curva continua. Se o ciclo de cortes de juros ganhar tração, se o mercado de capitais destravar novas ofertas e se a economia mantiver consumo e investimento, a vitrine da riqueza vai refletir isso. E a presença feminina tende a crescer onde empresas precisam de visão de longo prazo, gestão de risco e execução — três pontos que viraram diferenciais nos últimos anos.

Por fim, um retrato do momento: a lista tem mais rosto de família, sim, mas também mais trilhas profissionais. Do banco à fábrica, do app à fazenda, a riqueza dessas mulheres está ancorada em empresas que produzem, geram emprego e exportam. É esse lastro que sustenta números tão grandes — e que decide quem sobe e quem sai do topo nas próximas edições.